Deficiência Intelectual: inclusão e combate ao preconceito

Publicado: 21/08/2018


Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, realizada entre 21 e 28 de agosto, convida à reflexão sobre o papel de cada um de nós no combate à discriminação e ao preconceito.

Neste artigo, você verá:

  • O que é deficiência intelectual?
  • Deficiência mental é doença?
  • O que é um Quociente de Inteligência (conhecido por "Teste de QI')?
  • "Baixo QI" é suficiente para determinar deficiência intelectual?
  • 23% dos brasileiros têm alguma deficiência
  • Falta de estrutura nas cidades ainda dificulta inclusão
  • Saiba como você pode ajudar
  • ONGs brasileiras que são referência no apoio a deficientes intelectuais 

Cuidar de alguém com deficiência intelectual pode ser um desafio. Mas acompanhar o desenvolvimento dessa pessoa, com a certeza de que você contribuiu com seu melhor, é recompensador.

Desde 1964, o Brasil comemora entre 21 e 28 de agosto a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla (antes denominada “Semana Nacional do Excepcional”). A data, que foi instituída como Projeto de Lei (PL 5090/2013), chama a atenção da sociedade para as necessidades específicas de indivíduos nessa condição, buscando não somente ao combate do preconceito e da discriminação mas, principalmente, discutir iniciativas e políticas públicas para promover sua inclusão.


O que é deficiência intelectual?

A deficiência intelectual (ou Transtorno do Desenvolvimento Intelectual) é um conjunto de habilidades consideradas "abaixo da média", comumente manifestadas antes dos 18 anos, predominantemente em pessoas do sexo masculino, tanto entre adultos quanto em crianças e adolescentes.

Não é considerada doença, mas uma limitação que, em muitos casos, pode ser prevenida. O desenvolvimento da deficiência intelectual depende de diversos fatores ambientais e hereditários. Em sua maioria, são relacionados à genética, a implicações na gestação e à saúde da mãe durante a gravidez, assim como à qualidade do ambiente familiar na infância e adolescência.

Popularmente conhecida como "retardo mental" ou "idiotia", tem como principal sintoma a dificuldade de raciocínio e compreensão. É caracterizada por importantes limitações no comportamento adaptativo, especialmente em habilidades conceituais, sociais e práticas (tais como na fala, escrita, nos cuidados pessoais e habilidades interpessoais). Pessoas com deficiência intelectual apresentam baixas aptidões relacionadas ao funcionamento da inteligência (como atividades que envolvem raciocínio) e ao desenvolvimento cognitivo. 



"Baixo QI" determina deficiência intelectual?

O método mais tradicional para se medir a capacidade intelectual de alguém é o Quociente de Inteligência (QI), desenvolvido no início do século passado (1916) pelo psicólogo norte-americano Lewis Terman, da Universidade de Stanford. Esta avaliação não é mais uma unanimidade entre profissionais da área da saúde e, portanto, a classificação de um paciente não se imita a ele.

O Quociente de Inteligência é composto por testes padronizados e inclui perguntas que abordam desde problemas matemáticos até itens vocabulares. Um indivíduo "normal" geralmente alcança entre 90 e 110, enquanto os resultados de um portador de Transtorno de Desenvolvimento Intelectual não passam de 75. Acredita-se que Adolf Hitler tinha um QI de 141, Albert Einstein e Bill Gates de 160; Galileo Galilei de 185, Isaac Newton de 190 e Leonardo da Vinci de 220. Um dos quocientes mais altos já registrados até hoje foi de o de Terence Tao, um matemático australiano de origem chinesa, tendo-lhe sido atribuído um QI entre 230 a 250.


Falta de estruturas adaptadas dificulta inclusão

Além das restrições cognitivas, muitos deficientes intelectuais ainda reúnem deficiências físicas ou condições de saúde que afetam severamente as suas vidas. No Censo Demográfico publicado pelo IBGE em 2010, 45,6 milhões de pessoas declararam ter pelo menos um tipo de deficiência, seja visual, auditiva, motora ou mental.

E, apesar de representarem 23,9% da população brasileira, estes cidadãos ainda não encontram em suas comunidades uma infraestrutura minimamente adaptada às suas necessidades de desenvolvimento. Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) de 2014, a grande maioria das prefeituras ainda não promove políticas de acessibilidade, tais como lazer para pessoas com deficiência (78%), turismo acessível (96,4%) e geração de trabalho e renda ou inclusão no mercado de trabalho (72,6%).


Como ajudar?

Pessoas com deficiência intelectual devem receber acompanhamento médico e estímulos, por meio de trabalhos terapêuticos realizados com psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. A estimulação sistemática do desenvolvimento, assim como a adequação em situações pessoais, escolares, profissionais e sociais, permitem que o paciente tenha uma boa qualidade de vida e seja incluído na sociedade.

As deficiências intelectuais podem variar entre muito leves a muito graves. Pessoas nesta condição experimentam uma gama de respostas emocionais similares às dos demais, mas podem ter dificuldade em aprender e lidar com as tarefas diárias. Podem demorar mais do que os outros para fazer coisas de rotina na vida e podem precisar de apoio extra para aprender novas habilidades.

Veja abaixo algumas dicas simples e práticas para ajudar uma pessoa com deficiência intelectual:

  • Fale de forma simples e clara, enquanto olha diretamente para eles, de modo que possam ver seus olhos e expressões faciais;
  • Crie e adote rotinas previsíveis;
  • Quando lhe der alguma informação, peça que a repita em suas próprias palavras, verificando se entendeu;
  • Apresente tarefas e informações passo-a-passo, mantendo-a o mais simples possível;
  • Permita a ele entender ou aprender melhor sobre algo tocando, olhando e ouvindo;
    ser claro e coerente com as suas expectativas para reduzir os mal-entendidos
  • Identifique estruturas de apoio (como entidades assistenciais ou ajuda profissional) capazes de ajudar o deficiente intelectual a participar das atividades de casa, escola, trabalho e comunidade.



ONGs brasileiras são referência

Em nosso País, contamos com a atuação de diversas entidades assistenciais - muitas delas desfrutam de uma ótima reputação e são reconhecidas por realizarem trabalhos eficientes nessa área. Já é possível encontrar em quase todos os Estados projetos que visam à melhoria da qualidade de vida e à integração de pessoas com deficiência intelectual em suas comunidades. Veja alguns exemplos: 


Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE)

Organização sem fins lucrativos, que ​previne e promove a saúde das pessoas com deficiência intelectual e apoia sua inclusão social. Atua na vida humana desde o nascimento ao processo de envelhecimento, propiciando o desenvolvimento de habilidades que favorecem a escolaridade e o emprego apoiado. Também oferece assessoria jurídica às famílias acerca dos direitos das pessoas nesta condição.

 

Pioneiro na realização do Teste do Pezinho no Brasil, credenciado pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Triagem Neonatal, o Laboratório APAE DE SÃO PAULO é o maior da América Latina. Por meio do Instituto APAE DE SÃO PAULO, a Organização gera e dissemina conhecimento científico sobre deficiência intelectual, por meio de pesquisas e cursos de formação.




Casa de David

Instituição sem fins lucrativos fundada em 1962, é referência em abrigar e cuidar de pessoas com deficiência intelectual, física e com autismo. Realiza um trabalho bastante carinhoso e acolhedor, dedicando seus esforços a seres humanos que necessitam de apoio permanente. Com sede em São Paulo, e uma unidade em Atibaia (SP), a Instituição atende, em especial, pessoas carentes que, em sua maioria, foram abandonadas pelas famílias.


Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD)

Fundado em 1988, promove a inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Oferece cursos de formação profissional e conta com especialistas em legislação.


Instituto Vidas Raras

Sediada em Guarulhos (SP), promove o desenvolvimento de pessoas com doenças raras (que acometem as funções físicas e intelectuais). Realiza pesquisas para identificar e diagnosticar essas patologias. Atua junto à classe médica, ajudando profissionais da saúde no diagnóstico e tratamentos.



Se você se identifica com esta causa, procure uma ONG ou projeto assistencial idôneo e se engaje no projeto. Você também pode atuar como um replicador: divulgue o trabalho dessas iniciativas sociais e ajude-os a chegar ao conhecimento de quem necessita. 

Participa ou conhece alguma ONG que faça um trabalho sério, efetivo e interessante relacionado a essa causa, que não tenha sido mencionada neste artigo? Conte-nos abaixo, na área de comentários.

Sua contribuição certamente fará a diferença na vida de alguém!

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